Governo do Distrito Federal
14/02/22 às 12h21 - Atualizado em 14/02/22 às 12h21

Casamento Comunitário chega à quinta edição com quase 200 uniões

A marcha nupcial, acompanhada de uma toada de canções românticas, anunciava o início de um momento marcante na vida de 33 casais. No entardecer deste domingo (13), o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania, realizou no auditório do Museu da República mais um Casamento Comunitário. A política pública de promoção da garantia dos direitos legais de homens e mulheres em matrimônio soma em sua quarta edição a união gratuita de 199 casais no DF.

 

A ação, feita com empresas e entidades parceiras e voluntárias, garante a cidadãos com recursos limitados todos os custos da cerimônia de um casamento – dos trâmites cartoriais aos preparados das noivas, maquiadores, cabeleireiros, fotógrafos, bolo e bem-casados. “Estamos promovendo uma política pública porque entendemos a importância das famílias e das garantias legais dos direitos desses casais que desejavam viver maritalmente”, afirma a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani.

 

Fruto de parceria com empresas e entidades voluntárias, a iniciativa do GDF garante a união civil de cidadãos com recursos limitados | Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

 

Na edição deste segundo domingo de fevereiro, data em que se celebra do Dia Mundial do Casamento, as noivas foram buscadas e levadas em casa após a cerimônia por uma empresa de transporte por aplicativo. Ao final, receberam presentes como porta-retratos, brincos, tapetes, cosméticos, docinhos, vouchers de limpeza de pele e voucher de cursos de escovista, maquiagem e colorimetria.

 

Ninguém também gastou com as roupas. Em seu acervo, a Secretaria de Justiça e Juventude conta mais de 90 vestidos de noiva e cerca de 70 ternos. Todos são frutos de doações, lavados e ajustados a cada cerimônia.

 

Como medida de segurança sanitária em decorrência da pandemia de covid-19, cada casal pode levar até quatro convidados ao auditório, que teve apenas 30% do seu espaço ocupado. A cerimônia foi transmitida pelo Instagram e pelo canal da secretaria no YouTube.

 

Juíza de paz há quatro anos, a advogada Mírtala Delmondez celebrou pela terceira vez o casamento comunitário do GDF. Também voluntária do programa, ela se diz emocionada em participar de uma política pública como essa. “É o legado que eu deixo para os meus filhos e netos e a minha missão de vida: trabalhar com o amor em um mundo tão violento.”

 

Na atual gestão do GDF, foram realizados os casamentos de 199 casais nas cinco edições do programa: 41 em 2020, 125 em 2021 e 33 até fevereiro de 2022. A previsão é que mais uma edição do Casamento Comunitário seja realizada ainda em abril.

 

Sonhos e economia

A diversidade de histórias e experiências das 33 mulheres que se arrumavam no camarim improvisado do museu também as unia na ansiedade de serem vistas pelos maridos após a preparação. Com seu fio de contas na mão, a autônoma Vanessa Lobato, 33 anos, é moradora de Ceilândia. Seguidora do candomblé, religião de matriz africana, ela conta que o desejo de se casar veio com a insistência do companheiro, com quem estava está há um ano e dois meses. “Ele dizia: ‘Preta, a gente tem que sair do pecado e se casar. Aí veio a chance de fazer isso pelo GDF, o que nos permitiu realizar um sonho e deixar de gastar pelo menos uns R$ 5 mil.”

 

Vasti Gabriela, 22 anos, que mora em Ceilândia, conhece o marido Felipe da igreja, desde os 14. Ela chegou a fazer uma rifa pra custear os gastos com cartório e uma pequena celebração com a família. O dinheiro não iria dar pra tudo, até que ela se inscreveu no programa do Casamento Comunitário e conseguiu participar e não gastar nada. “Pedi a Deus uma balinha e ele me deu um pacote inteiro”, comemora.

 

A economia também foi um ponto importante para os funcionários do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) Rosimary Martins, 50 anos, e Antônio Gilvan, 33. Juntos há 14 anos, o casal do P Sul não conseguiria fazer uma cerimônia como a promovida pela Secretaria de Justiça e Cidadania. “Acho que essa legalização é importante para unir mais o casal”, aposta ela.

 

Hédio Ferreira Júnior, da Agência Brasília | Edição: Isaac Marra