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16/02/24 às 11h43 - Atualizado em 16/02/24 às 11h45

Casos graves de dengue podem causar hepatite e insuficiência renal

Com o aumento dos casos de dengue, os cuidados precisam ser intensificados para o combate ao mosquito. Muitas vezes, o quadro da doença se agrava, exigindo hidratação e medicação intravenosa. Alguns casos graves, inclusive, necessitam de internações. Mas por que o vírus da dengue é perigoso?

 

A gravidade decorre da inflamação causada nos órgãos e de como o vírus atua no organismo. Como se trata de uma infecção viral, o vírus penetra na corrente sanguínea, multiplicando-se em diversos órgãos; em seguida, substâncias nocivas são formadas no organismo humano.

O ciclo se inicia quando o mosquito Aedes aegypti pica uma pessoa infectada e contrai o vírus. No inseto, o vírus se multiplica no intestino e passa para outros órgãos até chegar às glândulas salivares, por onde é transmitido às pessoas.

 

Ação do vírus

 

No ser humano, após a picada, o vírus se multiplica em órgãos como baço, fígado e tecido linfático durante intervalo de quatro a sete dias – período denominado de incubação. A fase seguinte – viremia – dura cerca de seis dias e é marcada por febre. Nessa etapa, o vírus continua a se multiplicar e os sintomas mais comuns surgem, explica a médica Clarisse Lisboa, referência técnica distrital colaboradora em infectologia da Secretaria de Saúde (SES-DF).

“O vírus provoca uma alteração na permeabilidade dos vasos sanguíneos, e acabamos perdendo líquido; o plasma que deveria estar dentro dos vasos vai para o interior das cavidades, como abdome e tórax e tecido subcutâneo”, enumera a especialista. “Como os líquidos saem dos vasos, o indivíduo fica desidratado, daí a importância da hidratação.”

Além disso, a profissional alerta sobre a diminuição das plaquetas, uma vez que o vírus atinge a medula óssea. As quedas muito expressivas das plaquetas ocasionam o sangramento, sinal de alarme que deve ser tratado com ajuda médica. “O vírus também pode provocar danos no fígado, baço e rins, e alterações neurológicas também podem acontecer, embora não sejam comuns”, complementa a médica.

 

Tratamento

 

 

Geralmente, a doença se apresenta com sintomas de febre, dor de cabeça (atrás dos olhos), dores no corpo, fadiga, fraqueza, manchas, erupções e coceiras na pele. Não há medicamento específico para a dengue, mas a febre pode ser controlada com o uso de paracetamol ou da dipirona. O AAS (ácido acetilsalicílico) e os anti-inflamatórios, porém, são contraindicados.

Quando a doença se apresenta com sinais de alarme, os sintomas apresentados são dores fortes na barriga, vômitos persistentes, sangramentos no nariz, boca ou fezes e tonturas seguidas de muito cansaço.

“Nos casos graves, é possível que a pessoa desenvolva sequelas, principalmente relacionadas ao dano que a doença possa ter provocado nos órgãos, como hepatite [inflamação no fígado] e insuficiência renal crônica”, alerta Clarisse Lisboa.

 

Atendimento

 

Ao primeiro sinal de sintomas, a pessoa com suspeita de dengue deve procurar a unidade básica de saúde (UBSs) de referência. As estruturas desses espaços foram adaptadas para realizar hidratação venosa, se necessário. Caso haja sinais mais graves, os pacientes serão encaminhados às unidades de pronto atendimento (UPAs) ou aos hospitais regionais.

Além das UBSs e das UPAs, há tendas de acolhimento à população, das 7h às 19h, em nove regiões do DF: Ceilândia (P Sul), Samambaia, Sol Nascente, Brazlândia, Taguatinga, Santa Maria, Recanto das Emas, São Sebastião, Estrutural e Sobradinho.

 

*Com informações da Secretaria de Saúde