Governo do Distrito Federal
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7/12/21 às 15h50 - Atualizado em 7/12/21 às 15h55

Começa nesta terça-feira (7) o Festival de Cinema de Brasília

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AGÊNCIA BRASÍLIA * I EDIÇÃO: CAROLINA JARDON

 

Resistente e marcante, a maior e mais longeva festa do cinema nacional está pronta para entrar em cena. Desta terça (7) até 14 de dezembro, será realizado, em formato virtual, a 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB).

 

Neste ano, a programação do evento será norteada por ficções vindas de 11 estados brasileiros. Os longas-metragens da Mostra Competitiva serão exibidos no Canal Brasil, às 23h30.

 

Já os curtas e toda a programação da Mostra Brasília estarão disponíveis gratuitamente na plataforma InnSaei.TV. Os filmes selecionados vão receber R$ 400 mil em prêmios.

 

Acesse

Programação – 54º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Veja a linha do tempo do festival

 

A edição 54 – 2021

“O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro sempre, em sua natureza, foi um espaço para o diálogo com o que está por vir. Daqui, nasceram linguagens, estéticas e debates políticos que construíram a identidade do novo cinema brasileiro”, comenta o secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues.

 

“Essa edição nasce histórica porque vai pautar esse mundo pós-pandemia. Nada será como antes, e essas tendências serão examinadas nos dias de festival”, aponta o gestor.

Diretora-executiva do FBCB, Érica Lewis aposta na ampliação das plataformas de acesso ao público para acessar aos filmes num tempo de 24 horas para a Mostra Competitiva, 248 horas para a Mostra Brasília. “Esse foi um aprendizado que veio com a edição de 2020. As pessoas terão mais tempo para assistir e debater as produções selecionadas”.

Em 2020, vencendo o fantasma da pandemia, o Festival de Brasília contou com 620 mil espectadores no Canal Brasil e outros 10 mil circulando nos debates realizados no Canal do YouTube da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec). Neste ano, mais uma vez o Festival de Brasília enfrentou, com firmeza e perspicácia, as agruras impostas pela crise sanitária, formatando e trazendo para os entusiastas da sétima arte um encontro à altura de sua importância e grandeza sociocultural.

Assim, sob curadoria do cineasta Sílvio Tendler, e da professora da UnB Tânia Montoro, realizadores, público e intelectuais vão debater, dialogar e refletir, por meio de encontros virtuais, os rumos do audiovisual a partir do tema “O cinema do futuro e o futuro do cinema”.

 

Mantendo acesa a chama do estilo anárquico, rebelde e contestador que sempre marcaram o FBCB, surgido à sombra da ditadura, em novembro de 1965, o documentário “Já que Ninguém me Tira Para Dançar”, da cineasta Ana Maria Magalhães, foi o escolhido para abrir o evento. Uma homenagem à atriz Leila Diniz (1945 – 1972), o filme reconta a trajetória de um dos maiores símbolos da liberdade de expressão dos anos 1960, a partir de depoimentos de amigos e entrevistas restauradas da própria musa da contracultura nacional.

“Abrir o Festival de Brasília com a Leila, na véspera dos 50 anos de sua morte, é uma honra para o evento”, garante o cineasta Silvio Tendler, um dos curadores da mostra, que a conheceu em 1968.

“Leila é um personagem iconoclasta dos anos 60, uma pessoa totalmente transgressora e revolucionária, que falava muito palavrão e usava roupas ousadas, mas era um doce, uma pessoa muito agradável, uma flor de pessoa e o filme vai mostrar isso”, antecipa Tendler.

Obra que denuncia os impactos do coronavírus na vida dos povos Xavante, o documentário “Abdzé Wede’Õ – Vírus não tem cura?”, do xamã Divino Xavante, encerra o festival no dia 14, quarta-feira.

 

Leila livre, leve e solta

Obra que denuncia os impactos do coronavírus na vida dos povos Xavante, o documentário “Abdzé Wede’Õ – Vírus não tem cura?”, do xamã Divino Xavante, encerra o festival no dia 14, quarta-feira.

“É um festival que se comunica com todos os públicos, é amplo, plural e abarcativo, um festival que veio para sacolejar a caretice dos tempos sombrios que vivemos”, provoca Tendler, duas vezes premiados no evento.

“Brasília é essa cidade cosmopolita que abriga embaixadas, tantos pedacinhos de países e também regiões do DF, trabalhamos o regional, o nacional e o internacional. É um festival universal, um evento do tamanho de sua importância”, comenta a professora da UnB e também curadora, Tânia Montoro.

 

A seleção de longas da Mostra Competitiva traz quatro ficções e dois documentários da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. “Alice dos Anjos” (BA), de Daniel Leite Almeida, leva as fantasias de “Alice no País das Maravilhas” à paisagem do sertão baiano; “Lavra” (MG), de Lucas Bambozzi, expõe as feridas da devastação ambiental percorrendo os caminhos da lama tóxica e criminosa que devasta cidades inteiras; “Acaso” (DF), de Luis Jungmann Girafa, traz o estilo on the road à famosa via W3 de Brasília, celebrando a casualidade das grandes cidades.

 

“Ela e Eu”

 

O legado do cinema de Brasília e clássicos que marcaram a cinematografia nacional são destaques de exibições paralelas dentro do prisma memória e homenagem. Na mostra “Sessentinha”, por exemplo, nove clássicos do DF voltam à baila, evidenciando os sucessos locais do audiovisual em projetos como “Louco por Cinema”, de André Luiz Oliveira; “Braxília”, de Dannyella Proença, resgate sobre a trajetória e obra do poeta, Nicolas Behr; e “Sequestramos Augusto César”, de Gui Campos, protagonizado por Lauro Montana, artista que morreu neste ano e será um dos homenageados do FBCB.

 

A cereja do bolo na programação é a cópia restaurada de “O País de São Saruê”, filme do mestre Vladimir Carvalho, extirpado da programação de 1971 do festival pela ditadura.

 

“É um filme emblemático na censura no Brasil, proibido de passar nesse mesmo festival há 50 anos”, destaca a curadora Tânia Montoro. “Homenagear esse filme, nesse momento em que temos que lutar pela democracia e para o fomento e preservação do audiovisual regional e nacional, é um ganho muito grande”, comenta a professora da UnB.

 

Quatro filmes que investigam a cultura brasileira por meio de personalidades, criações artísticas e a formação da identidade nacional fazem parte da mostra “Memória e Linguagens”. É o caso de “Samba Riachão”.

  1. Um dos vencedores da 34ª edição do Festival de Brasília, o documentário de Jorge Alfredo debruça sobre a vida e obra do baiano, Clementino Rodrigues, o Riachão do título, um dos mais conhecidos e respeitados sambistas do país, falecido em março de 2020.

Já o luso-brasileiro “Os Ossos da Saudade”, de Marcos Pimentel, é um relicário narrativo sobre perdas e ausências. Com direção de Marcel Seixas, “Rolê – Histórias dos Rolezinhos,” discute o drama do racismo no Brasil. Realizado pela dupla Marcel Gonnet e Daniel Fróes, “Procura-se Meteorango Kid: vivo ou morto”, perfaz os caminhos e percalços enfrentados pelo cineasta baiano André Luiz Oliveira, na realização do clássico do cinema marginal, “Meteorango Kid”, um marco da arte de resistência no Brasil.

 

“São produções que tem a ver com memória e biografia e que dialogam com questões importantes da realidade brasileira”, observa Tendler.

 

Celebrações

Homenagens não vão faltar na 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Além dos atores Paulo José, Paulo Gustavo, Tarcísio Meira e Flávio Migliaccio, lembrado com a exibição do filme de 1971, em cópia restaurada de “Aventuras com Tio Maneco”, serão lembradas também a diretora Tânia Quaresma e a escritora Lucília Garcez, mortas neste ano.

Um dos rostos negros mais conhecidos do cinema nacional e da televisão brasileira, a veterana Léa Garcia, 88 anos, vai ganhar o Candango Especial pelo Conjunto da Obra. Entre os seus trabalhos mais conhecidos nas telonas estão “Orfeu Negro” (1959), “Ganga Zumba” (1963) e Quilombo (1984), dirigidos por Cacá Diegues. Nas telinhas, seu talento pode ser conferido em sucessos como “Escrava Isaura” (1976), “Dona Beija” (1986) e, mais recentemente, nas séries “Sob Pressão” (2018) e “Carcereiros” (2019).

“São homenagens merecidas e necessárias”, assegura Silvio Tendler. “Como feminista que sou, sinto-me bem representada nessa edição do festival”, destaca Tânia Montoro.

Léa Garcia: vida de cinema

O cinema do futuro e o futuro do cinema

 

Como acontece todos os anos, fórum de debates, seminários e painéis sobre diversos temas que convergem para o papel do cinema no Brasil e no mundo também farão parte da programação dessa edição do FBCB, que acontecerão na plataforma Zoom.

Estrelas internacionais do naipe do grego Costa-Gravas (“Z”), e do israelense Amos Gitaï (Kippur), estão entre as atrações.

Os dois gigantes das telonas irão compor o programa de aulas magnas junto com os brasileiros Ruy Guerra (“Os Fuzis”) e Helena Solberg (“Vida de Menina”), nomes seminais do audiovisual nacional, diretamente ligados ao movimento Cinema Novo.

Narrativas femininas, periféricas, indígenas e quilombolas, além de questões como o futuro dos cineclubes e a mistura de linguagens no audiovisual, entre outros temas, serão debatidos por cineastas e intelectuais como Fernando Gabeira, Daniela Thomas, Pedro Butcher, Maya Da-Rin, Cibele Amaral.

“Nesses dois anos, muita coisa aconteceu com o cinema presencial, por conta dos protocolos de segurança. Ficou mais difícil de rodar, mesmo assim, muita gente filmou. Produções comedidas, mais modestas que compõem o perfil de um fenômeno internacional. Vamos discutir sobre isso”, antecipa Silvio Tendler.

Amos Gitaï

“A curadoria trabalhou com a memória, para analisar o presente e projetar o futuro. Essa é a identidade dessa edição do festival”, destaca Tânia Montoro.

Como acessar a InnSaei.tv:

1. Entre no site: https://innsaei.tv/

2. Clique em ‘Acessar a plataforma’.

3. Na nova janela, no canto superior direito, clique em ‘Acessar’.

4. Na janela de login, vá até o final e clique em ‘Não tem login? Cadastre-se’.

5. Preencha seu nome, email e escolha uma senha e clique em ‘Cadastrar’.

6. Pronto. A partir do dia 7, terça, às 19h, logue-se, clique no banner do #54FBCB e escolha o que vai ver primeiro.